12 dezembro, 2018

Bilharacos


A minha avó Celeste não era uma mulher de muitas receitas ou de grandes culinárias. Coisas simples como o frango caseiro assado no forno de lenha, os rojões, os bifes e o peixe cozido com batatas e legumes. Amassava e cozia o pão e os folares. Fazia chouriços. 
E fazia aletria daquela que se cortava à faca em quadrados, e fazia bilharacos. Tudo sem receita. Tudo a olho com a experiência de quem repetia aquilo muitos e muitas vezes.
Tenho presente as receitas na memória dos sabores e dos cheiros. A minha avó ainda me passou a receita dos folares, muito vaga e com quantidades enormes de farinha e ovos, e outras de ingredientes em quantidades muito pouco precisas, mas que foi relativamente fácil, após algumas tentativas de os tornar semelhantes ao que ela fazia. Outras não tinham quase receita, como o frango ou os rojões, que eram principalmente ingredientes de qualidade e paciência...
Mas a aletria e os bilharacos, as duas únicas receitas doces que me lembro que ela fazia ficaram assim meias perdidas. Fazia tudo a olho. Não pesava, nem media nada e aquilo ficava sempre igual. Sempre bem. Com a sabedoria de quem já tinha feito aquilo muitas e muitas vezes. Depois de muitas tentativas lá chegamos à receita de aletria tal e qual a fazia - porque também não fui a tempo de que partilhasse comigo a receita - porque na altura em que viveu connosco, e quando podia ter aprendido todas essas receitas, ainda não era assim tão importante para mim ficar com estas memórias.  E ficamos também sem saber bem como fazer os bilharacos, cuja memória é sempre de a ver mexer um grande alguidar à mão, com uma massa líquida e cor de laranja e o cheiro da aguardente caseira que a massa levava...
Eu a minha mãe tentamos muitas vezes fazer. Muito moles, muito rijos, muito massudos... Foi difícil aprender a consistência e perceber que ficavam parecidos aos da avó Celeste. Descobri que usar a abóbora assada era bem melhor do que cozer e espremer a abóbora e que em  nada alterava a consistência. E de repente descobrir uns bilharacos que são a minha memória da avó Celeste.
E hoje, no dia de aniversário dela, há bilharacos. Porque sim.

Próximo Workshops:
Tema: Mesas de Festa

Porto - 15 de Dezembro - 15h Workshops Pop -Up - ÚLTIMAS VAGAS
Inscrições diretas aqui: 

Ingredientes para 15 unidades:

150g de abóbora previamente assada (e sem casca ou sementes) - usei butternut
2 ovos
60g de farinha
30g de açúcar
1 colher de sopa de aguardente
1 colher de chá de fermento em pó

Açúcar amarelo e canela em pó para polvilhar

Preparação:

Com o robot de cozinha ou com a varinha mágica, triture a abóbora até obter um puré homogéneo. Misture depois o açúcar, a farinha, o fermento os ovos e a aguardente, até obter uma mistura mole e ainda bastante líquida. Deixe repousar cerca de 1 a 2 horas.
Aqueça depois o óleo. Frite colheradas de massa no óleo de quente, até que os bilharacos fiquem dourados e inchem.
Escorra ligeiramente sobre papel absorvente e passe pela mistura de canela e farinha quando estão ainda quentes.


Bom Apetite!

14 comentários:

  1. Fazem anos na mesma altura... É uma bonita homenagem <3 Bjinhos!

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  2. Aqui por Abrantes e olhando para a receita, penso que os vossos bilharacos são os nossos Velhoses, os da minha avó deixaram memórias fantásticas, o fundo do alguidar onde escorriam já fritos, ficava todos cheiinho de gordura e completamente cor de laranja, por causa da abobora, neste caso cozida.
    Não havia como os da minha avó, mega gordurosos e um verdadeira delicia.
    Aida

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    1. A minha avó também é de Abrantes e também ela faz as velhoses assim, com abóbora cozida. ;)

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  3. Anónimo11:57

    Há receitas que ficam na memória, especialmente quando são as de família!
    Não tenho as memórias das avós, pois esta faleceram quando era bebé, mas tenho as da minha mãe com os seus bolos (poucos) e cozinhados.
    Recordo da minha mãe a fazer as filhoses, o pão de ló e a torta abafada, sempre a olho. Embora tenha a receita base da torta e das filhoses, de um livro de culinária e uma Teleculinária bem velhinhos, nunca consegui reproduzir tal como a minha mãe fazia.
    Ficam as memórias e os sabores, e as tentativas aproximadas!
    Irei experimentar estes bilharacos, pois é uma maneira muito simpática e docinha de iniciar as hostilidades natalícias.

    Um grande beijinho,
    Sara Oliveira

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  4. Mariana15:00

    A minha avó cozia a abóbora e deixava-a a escorrer, toda a noite, dentro de um pano pendurado na torneira da banca...

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    1. Anónimo08:35

      A minha também :)
      E usava vinho do porto em vez da aguardente, depois só se comiam no dia seguinte para estarem ensopadinhos em calda!

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  5. Anónimo19:06

    A minha avó fazia bolinhos de jerimu. Será a mesma coisa?

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  6. Os meus, que aprendi com a minha Mãe são iguais, a olho, a abóbora a escorrer de um dia para o outro pendurada na torneira do fogão de lenha (que ainda tenho e uso) e vinho do Porto quando não há aguardente à mão. E pensava que apenas aqui pela zona de Estarreja se chamavam bilharacos pois quando falo neles a outras pessoas de outros locais não sabem o que é :)
    Boas Festas a todos.

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    1. Teresa Ferreira19:27

      Por favor Maria, será que me pode dizer como fazê-los?. Só encontró receitas deles fofinhos e eu lembro-de deles achatadinhos e húmidos. Estoy quase a desistir��

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  7. A minha mãe faz todos os anos, nesta altura!
    Beijinhos,
    Espero por ti em:
    strawberrycandymoreira.blogspot.pt
    http://www.facebook.com/omeurefugioculinario
    https://www.instagram.com/marysolianimoreira/

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  8. Anónimo23:14

    Joana, a abóbora é assada ao natural, sem nenhum tempero?
    Obrigada

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  9. Olá Joana! Gostei desta receita e queria experimentar fazê-la mas a última parte confundiu-me... É mesmo mistura de canela e farinha? Não será de canela e açúcar?
    Obrigada!

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  10. Anónimo11:43

    Adoro!! Na minha zona chamam-se bolinhos de jerimú, mas na zona de Aveiro são bilharacos e é o melhor da mesa de Natal!

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  11. Eu não me esqueci, quando eu estava fazendo analítica experimental 1, que você falou que você queria ser professora universitária, então eu te enviei um vídeo te ensinando como se faz para ser professora universitária, só para te ajudar. 

     

    Depois de algumas semanas. Teve uma vez que eu peguei um resfriado super forte, eu cheguei a ficar com febre. Então você viu que iria ficar reprovada em analítica 1 teórica, já que a gente pegamos a pior professora do instituto de química da UFRJ. Como você não podia descontar a sua raiva em cima da professora. Você resolveu descontar a sua frustração em mim, que estava doente.

     

    Então a Gabriela Santana Andrade mandou a amiga dela do curso de pedagogia chamada Ana Beatriz Procession Guimarães entrar no grupo de analítica 1 teórica se passando por uma tal de Simone. Então você, a Simone e a Gabriela ficaram me humilhando por causa de iniciação científica naquele dia, a Gabriela ainda falou que o pai dela era policial, que o pai dela iria à minha casa para me levar para a cadeia. A Ana Beatriz Procession Guimarães nem fazia farmácia e foi arrumar confusão no curso dos outros. Se ela tivesse um trabalhinho, ela não ficaria praticando linchamento virtual nos grupos do Whatsapp do curso de farmácia da UFRJ.

     

    Eu estava doente naquele dia que aconteceu isso. O que vocês fizeram comigo não se faz nem com um bicho. Eu nunca pensei que o ser humano chegaria a esse ponto, de se aproveitar de um momento de fragilidade minha para ficar me humilhando por causa de iniciação científica. A Gabriela ainda ficou compartilhando um áudio com os amigos dela da atlética de farmácia de eu tossindo e gritando que eu estava doente Gabriela. 

     

    Você não esperou nem o semestre acabar para se voltar contra mim. Você cuspiu no prato que você comeu. Me desculpa por ter te mandado aquele vídeo ensinando como se faz para se tornar professora universitária só para te ajudar. Eu já deveria saber que você não presta.

     

    Você ainda fica agindo como se não tivesse feito nada de errado. Eu acho que ser psicopata é pré-requisito para se fazer iniciação científica. O pessoal do FitoFar não deve saber que você é de verdade para deixarem você fazer iniciação científica com bolsa e ainda publicar dois artigos científicos.

    Eu sei tudo sobre você, eu achei o seu perfil no Instagram e no Linkedin:

     

    https://www.instagram.com/p/C-q8YN5uQDP/

     

    https://br.linkedin.com/in/ana-beatriz-lima-998a1779

     

    Mas também você é amiga do Jakson Barros Bonfim. O Jakson pagou outra pessoa para fazer a prova online de orgânica 1 da Lages. O Jakson abriu a empresa Bonfs Home Center com o dinheiro da bolsa de IC, dinheiro esse que ele conseguiu graças à cola. O professor substituto chamado Luis Phillipe Nagem Lopes é o orientador de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do Jakson Barros Bonfim. O título do TCC do Jakson Barros Bonfim é Sistematização de casos clínicos do HUCFF e desenvolvimento de website como ferramenta pedagógica: um relato de experiência.

    Você também é amiga da Jéssica Mel da Silva Faria, A Jéssica ficou me humilhando em analítica 1 por causa de iniciação científica, quando eu perguntei a ela, porque ninguém estava me defendendo da humilhação, ela falou que eu estava no fundão e que a faculdade de direito ficava lá no centro, ou seja, como ela fazia farmácia e não direito, ela não precisava me defender da humilhação. O orientador de TCC da Jessica Mel da Silva Faria também é o Luis Phillipe Nagem Lopes e o título do Trabalho de Conclusão de Curso dela é Desenvolvimento de um ebook para orientação da equipe de enfermagem sobre administração de medicamentos de alta vigilância em UTI neonatal/pediátrica: relato de experiência.

    Pode mandar o pai policial da Gabriela aparecer aqui em casa. Manda ele fazer isso depois de buscar o arrego do traficante na boca de fumo, que fica na parte de cima da minha rua. Em frente a minha casa funciona um ferro velho clandestino, que fornece material furtado para os traficantes construírem barricadas. 

     

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