Bolachas de Laranja da D. Hortense e outro presente de comer



Nos clássicos dos presentes de comer raramente faltam as bolachinhas. Vou variando receitas, testando receitas novas, e até fazendo várias receitas para fazer pequenos sortidos de bolachas.
Desta vez umas bolachinhas de laranja deliciosas, perfeitas para fazer com a ajuda dos mais pequenos, que aprendi no último fim de semana, nos workshops do Santiago Hotel Cooking&Nature. São perfeitas para irem fazendo e oferecendo seja aos amigos, aos colegas de trabalho, às educadoras e professoras dos miúdos.
O natal aproxima-se a passos largos, e aos poucos os cabazes vão tomando forma. Faltam 10 dias para o Natal!

Próximo Workshops:
Tema: Mesas de Festa

Porto - 15 de Dezembro - 15h Workshops Pop -Up - ÚLTIMAS VAGAS
Inscrições diretas aqui: 

Ingredientes:

200g de manteiga
250g de açúcar
4 ovos
1 laranja
900g de farinha com fermento
1 gema para pincelar

Preparação:

Com a ajuda de uma batedeira ou com o robot de cozinha, bata o açúcar com a manteiga. Junte depois os ovos, a raspa e o sumo da laranja e a farinha com fermento. Misture até obter uma massa que de descole das paredes da taça.
Acabe depois de amassar na banca da cozinha até obter uma massa lisa. Com a ajuda do rolo da massa estique a massa com cerca de 0,5cm de espessura. Corte depois com os cortadores de bolachas e coloque-as num tabuleiro forrado com papel vegetal. Pincele depois com a gema de ovo, e leve ao forno previamente aquecido a 180ºC durante cerca de 10 minutos, até as bordas começarem a ficar douradas.
Retire do forno e deixe arrefecer sobre uma grelha. Guarde depois em caixas herméticas ou coloque em saquinhos e decore para oferecer.


Bom Apetite!

Lascas de Bacalhau com Puré de Couve Flor e Chuchu


Ainda me lembro dos do tempo em que a vida decorria sem grandes preocupações. Em que a maior decisão do dia era se levava a camisola azul ou o casaco verde, ou se tinha feito os trabalhos de casa, ou se a mãe ia fazer outra vez peixe cozido para o almoço. Lembro-me do tempo em que a única coisa que tinha de fazer era ir à escola, os trabalhos de casa, estudar para os testes e ter as melhores notas possíveis. Não tinha mais exigências, grandes preocupações, ou complicações. A vida decorria entre a escola e os amigos, e planos para o fim de semana e férias. Havia coisas que eu julgava que iam decidir a minha vida, como “amores” não correspondidos, tricas com as amigas, gostar mais ou menos de um professor, borboletas na barriga por ir ao quadro ou por ser dia de teste.
Mas depois vamos crescendo. As preocupações e as responsabilidades vão sendo cada vez maiores. Da escola, para um curso superior, de estágios para o mercado de trabalho. Depois damos por nós em relacionamentos sérios e a querer ser independentes. A ter uma casa. A sermos responsáveis pela nossa vida, pelas nossas contas, pelo nosso espaço, pelos nossos sentimentos e pelos nossas decisões, afetos, relações. E quando, e se, vêm os filhos, então, para além de tantas coisas para gerir, controlar e movimentar, de repente ainda somos responsáveis por pequenas pessoas totalmente dependente de nós.
Ninguém nos prepara para nada disto. Nada nos prepara para nada disto. Aprendemos a dar cabeçadas na parede. Aprendemos por instinto, por pressão, por tentativa e erro. A lidar com o patrão. A ser pais. A fazer o nosso caminho.
Aprendemos pelo exemplo. Pelas experiências que a vida nos vai proporcionando. Pelas pessoas que vamos conhecendo e com as quais vamos trocando ideias. E, como tudo vamos ficando melhores em algumas coisas no que noutras. E aprendemos a ser capazes de saber viver gerindo tudo, algumas vezes com equilíbrio de malabarista....
Aprendemos a fazer jogo de cintura. A calar quando nos apetece partir a louça toda. A engolir sapos. A ignorar atitudes  que nos parecem menos justas ou francas. Aprendemos que viver em sociedade, ou no seio da família e dos amigos, ou até no local de trabalho nos obriga também a aprender a gerir sentimentos. A perceber que nem tudo pode ser dito. Que por vezes as nossas melhores intenções não são assim tão bem compreendidas. Que é preciso calar e pensar antes de abrir a boca. Que não somos donos da razão. Que temos mesmo de ouvir mais e que nunca, mas nunca devemos argumentar de cabeça quente, e quando ainda não pensamos calmamente sobre o que queremos fazer.
Olho para os meus miúdos e lembro-me da idade em que não há filtros. Em que a felicidade está em fazer apenas e só o que nos apetece. Em que podemos fazer uma birra só porque as coisas não são como nós queremos. Em que somos sempre sinceros e honestos em todas as nossas palavras, porque ainda ninguém nos ensinou que em sociedade há coisas que se calam para evitar conflitos, para evitar momentos desagradáveis, para não magoar alguém ou apenas porque não somos os donos da razão e não mandamos no mundo.
E depois lembro-me dos adultos sem filtro. Daqueles que por detrás da sinceridade e da honestidade dizem tudo o que lhes apetece da forma que lhes apetece, sem olharem a como podem estar a magoar alguém. Lembro-me que apesar de adultos e de viver em sociedade, há quem não se importe com nada disso. Há quem ache que é dono do mundo, da razão e faça tudo para levar a sua avante, porque acha que essa é a maneira de fazer. Porque há quem viva em sociedade a achar que está acima de todos. 
Talvez o natal seja uma época para refletir acerca das nossas fraquezas. Dos nossos receios. Das nossas falhas. Para sermos capazes de pensar antes de falar, de evitar conflitos, de engolir sapos com um sorriso nos lábios. De perceber que só vale a pena valorizar a opinião de quem realmente importa. De desvalorizar o que não é importante. Dar prioridade ao que é mesmo prioritário. Ignorar o que merece ser ignorado. 
E de saber viver. 

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Ingredientes para 2 pessoas (+ 2 crianças):

2 lombos de bacalhau
1 couve flor pequena
1 chuchu
sal e pimenta q.b.
noz moscada
2 colheres de sopa de leite de coco de lata (parte sólida)
150ml de leite
2 dentes de alho
1 folha de louro
cebolinho q.b.

Preparação:

Coloque o bacalhau num pirex que possa ir ao forno e cubra com o azeite. Tempere com um pouco de pimenta, os dentes de alho inteiros e a folha de louro. Leve ao forno previamente aquecido a 180ºC durante cerca de 25 minutos.
Entretanto separe a couve flor em raminhos e descasque o chuchu e corte-o em pedaços. Coza a couve flor e o chuchu ao vapor até que fiquem macios. Coloque depois no robot de cozinha, tempere com um pouco de sal, pimenta e noz moscada e o leite de coco e triture até obter um puré homogéneo.
Assim que o bacalhau estiver cozinhado, separe-o em lascas e tempere com o azeite de assar o bacalhau.
Divida depois o puré de couve flor e chuchu pelos pratos. Por cima disponha as lascas de bacalhau e termine com um pouco de azeite de assar o bacalhau e um pouco de cebolinho picado.
Sirva de imediato.


Bom Apetite!

Bilharacos


A minha avó Celeste não era uma mulher de muitas receitas ou de grandes culinárias. Coisas simples como o frango caseiro assado no forno de lenha, os rojões, os bifes e o peixe cozido com batatas e legumes. Amassava e cozia o pão e os folares. Fazia chouriços. 
E fazia aletria daquela que se cortava à faca em quadrados, e fazia bilharacos. Tudo sem receita. Tudo a olho com a experiência de quem repetia aquilo muitos e muitas vezes.
Tenho presente as receitas na memória dos sabores e dos cheiros. A minha avó ainda me passou a receita dos folares, muito vaga e com quantidades enormes de farinha e ovos, e outras de ingredientes em quantidades muito pouco precisas, mas que foi relativamente fácil, após algumas tentativas de os tornar semelhantes ao que ela fazia. Outras não tinham quase receita, como o frango ou os rojões, que eram principalmente ingredientes de qualidade e paciência...
Mas a aletria e os bilharacos, as duas únicas receitas doces que me lembro que ela fazia ficaram assim meias perdidas. Fazia tudo a olho. Não pesava, nem media nada e aquilo ficava sempre igual. Sempre bem. Com a sabedoria de quem já tinha feito aquilo muitas e muitas vezes. Depois de muitas tentativas lá chegamos à receita de aletria tal e qual a fazia - porque também não fui a tempo de que partilhasse comigo a receita - porque na altura em que viveu connosco, e quando podia ter aprendido todas essas receitas, ainda não era assim tão importante para mim ficar com estas memórias.  E ficamos também sem saber bem como fazer os bilharacos, cuja memória é sempre de a ver mexer um grande alguidar à mão, com uma massa líquida e cor de laranja e o cheiro da aguardente caseira que a massa levava...
Eu a minha mãe tentamos muitas vezes fazer. Muito moles, muito rijos, muito massudos... Foi difícil aprender a consistência e perceber que ficavam parecidos aos da avó Celeste. Descobri que usar a abóbora assada era bem melhor do que cozer e espremer a abóbora e que em  nada alterava a consistência. E de repente descobrir uns bilharacos que são a minha memória da avó Celeste.
E hoje, no dia de aniversário dela, há bilharacos. Porque sim.

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Ingredientes para 15 unidades:

150g de abóbora previamente assada (e sem casca ou sementes) - usei butternut
2 ovos
60g de farinha
30g de açúcar
1 colher de sopa de aguardente
1 colher de chá de fermento em pó

Açúcar amarelo e canela em pó para polvilhar

Preparação:

Com o robot de cozinha ou com a varinha mágica, triture a abóbora até obter um puré homogéneo. Misture depois o açúcar, a farinha, o fermento os ovos e a aguardente, até obter uma mistura mole e ainda bastante líquida. Deixe repousar cerca de 1 a 2 horas.
Aqueça depois o óleo. Frite colheradas de massa no óleo de quente, até que os bilharacos fiquem dourados e inchem.
Escorra ligeiramente sobre papel absorvente e passe pela mistura de canela e farinha quando estão ainda quentes.


Bom Apetite!

Salada de Abóbora Assada, Rucula e Feta com Arroz


O natal aproxima-se demasiado depressa. E apesar de ainda haver uma enorme quantidade de coisas por fazer, por organizar e por tratar, eu sei que, no fim, tudo vai correr bem. Como habitualmente. Mesmo que não seja exatamente como eu imagino e programo, no fim dá certo, porque é tudo feito com amor, com carinho, com paciência e com cuidado.
E enquanto se programa o natal, se fazem os presentes de comer e se fazem listas atrás de listas para que falhe o mínimo, há que continuar a cozinhar, e tentar comer coisas “melhores”, para minimizar os excessos que todos sabemos que vêm aí. Afinal é natal, é só uma vez por ano, e devemos aproveitar ao máximo o que de melhor, (gastronomicamente falando) o que esta época tem para nos dar.
E enquanto o natal não chega, e para não estragar tudo, uma receita sem carne, nem peixe para vos inspirar num destes dias!
Espero que gostem!

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Ingredientes para 2 pessoas:

150g de arroz cozido (ou massa, quinoa, arroz, millet, bulgur...)
250g de abóbora manteiga
uma mão cheia de folhas de rucula
15 azeitonas pretas descaroçadas
100g de queijo feta
sal e pimenta q.b.
azeite q.b.
1/2 colher de café de canela
1/2 colher de café de colorau
1 colher de chá de ervas da provença

Preparação:

Corte a abóbora em cubos pequenos e tempere com sal, pimenta, um fio de azeite, a canela, o colorau e as ervas. Misture bem e coloque a mistura num tabuleiro forrada com papel vegetal e leve ao forno previamente aquecido a 180ºC e deixe cozinhar cerca de 20 minutos ou até a abóbora estar macia. Deixe arrefecer.
Coloque depois a abóbora numa saladeira e acrescente o queijo partido em cubos, as azeitonas cortadas ao meio, a rúcula e o arroz e envolva bem. 


Bom Apetite!

Panquecas de Banana e Aveia com Framboesas


O fim de semana foi fantástico. Um grupo improvável de pessoas juntas para passar um fim de semana num hotel. Em comum o gosto por cozinhar e comer. No final um grupo de amigos, um fim de semana inesquecível e a vontade de poder repetir 
E também lições. Que as pessoas são todas muito mais do que aquilo que podem parecer à primeira vista. Que todos temos histórias, passado e bagagem que nos tornam genuínos e verdadeiros. Que devemos sempre dar o benefício da dúvida a quem não conhecemos, e que ter o coração aberto permite deixar entrar a generosidade e estar dispostos a receber quem vem por bem. E quando estamos dispostos a partilhar, quando somos francos e quando estamos dispostos a darmo-nos aos outros, descobrimos que um grupo improvável tem, afinal, mais afinidades e pontos em comum do que poderíamos pensar. E que a amizade nasce sempre em pequenas coisas. Obrigada ao Célio, à Luisa e à Naida, à Telma, ao Leonardo, à Maria e também à Alexandra por estes dias. E pelas gargalhadas e bons momentos à volta da mesa e da cozinha.

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Ingredientes para cerca de 10 panquecas pequenas:

1 banana
1 ovos
4 colheres de sopa rasas de flocos de aveia
75g de framboesas

Preparação:

No copo da varinha mágica coloque a banana cortada em pedaços, o ovo, os flocos de aveia e triture com a varinha mágica até obter uma mistura homogénea.
Leve depois uma frigideira anti aderente ao lume e deixe aquecer bem. Coloque colheradas de massa na frigideira e por cima coloque 3 ou 4 framboesas. Deixe cozinhar de um lado e vire, deixando cozinhar do outro. Repita até esgotar os ingredientes.
Sirva de imediato, com mais framboesas, um toque de mel ou maple syrup e iogurte natural.


Bom Apetite!

Tempero para Carne Assada e mais um Presente de Comer


Este ano os cabazes vão ter complementos diferentes. O jardim tem-nos dado pequenas coisas que decidi usar. Há muitas malaguetas, chá príncipe, louro e alecrim em abundância. Ora há muito quem goste de picante, e portanto há malaguetas a secar para oferecer nos cabazes em pequenas saquinhos. Há também chá príncipe do jardim que vai juntar-se a bolachinhas e compotas para completar cabazes, e o louro e o alecrim acabaram neste tempero para carne assada, onde juntei também outras coisas.
Podem apenas oferecer o tempero a um amigo que goste de cozinhar, ou podem complementar com outras sugestões salgadas como o azeite aromatizado e o molho barbecue, e juntar uma luva de cozinha, um pincel de silicone, ou até um avental personalizado. Ou juntar tudo num cestinho bonito e fechar com um laço. Ou simplesmente oferecer um frasco deste tempero com a receita, para caso gostem poderem voltar a encher o frasco.
Por aqui as várias versões de tempero para assados que vou fazendo, fazem sempre grande sucesso, e há quem peça todos os anos.
Aqui fica uma simples sugestão, que podem preparar em poucos minutos e sem cozinhar.


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Ingredientes para 3 frascos de 250ml

300g de sal marinho tradicional
2 colheres de sopa de alho em pó
2 colheres de sopa de colorau (pimentão doce)
2 colheres de sopa de grãos de pimenta preta
6 malaguetas secas
10 raminhos de alecrim
10 folhas de louro

Preparação:

No copo do robot de cozinha coloque as folhas dos ramos de alecrim (separe-as do ramo), as folhas de louro sem o veio central e junte todos os outros ingredientes. Triture alguns segundos em velocidade alta para misturar e triturar os ingredientes.
Divida depois pelos frasquinhos e decore-os a gosto. Ofereça com as instruções de uso.
(Para utilizar, retire uma ou duas colheres de sopa da mistura e esfregue na peça de carne. Se quiser regue com um pouco de vinho branco, e leve a assar tapado com papel de alumínio até a carne estar macia.)


Bom Apetite!

Esparguete Gratinado com Bolonhesa de Peru e Abóbora


Aproveitar sobras é o meu forte. Um resto de queijo. Um resto de puré de abóbora. Sobras de carne. Junta-se tudo e comemos uma deliciosa bolonhesa gratinada, que leva puré de abóbora e que ninguém desconfia.
Fazer a ementa semanal e começar - ou acabar - a semana a aproveitar ao máximo tudo o que temos em casa. Sem desperdícios. É uma das regras cá de casa, e como começam muitas das receitas e das partilhas deste blogue.

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Ingredientes para 4 pessoas:

250g de esparguete
300g de sobras de peru, frango desfiado ou outra carne
150g de puré de abóbora assada
1 cebola pequena
1 lata pequena de tomate pelado
1 colher de sobremesa de oregãos secos
sal e pimenta q.b.
azeite q.b.
150g de queijo ralado

Preparação:

Pique a cebola e leve-a a refogar num pouco de azeite até que fique macia. Junte depois o tomate pelado partido em pedaços e tempere com um pouco de sal, pimenta e oregãos, e deixe cozinhar 15 minutos em lume brando. 
Entretanto coza o esparguete em água com sal até ficar al dente. Retira e reserve.
Junte ao molho de tomate a carne desfiada e o puré de abóbora e retifique os temperos. Envolva metade do queijo.
Coloque a mistura num prato que vá ao forno e por cima disponha o esparguete e  envolva . Por cima coloque o restante queijo ralado.
Leve depois ao forno previamente aquecido a 180ºC para dourar.
Sirva com uma salada verde.


Bom Apetite!

Pão Caseiro de Espelta e Sementes


Pedem-me imensas vezes as receitas dos pães que faço aqui por casa. Na verdade só vou fazendo variações da receita de pão da Titá que já publiquei há uns anos, e vou “melhorando” se isso é possível essa receita. Nos últimos tempos, tenho usado sempre esta receita com a farinha de espelta, e esta é a receita favorita dos últimos tempos, e a que tenho repetido mais vezes. Acrescento mais água, porque gostamos do pão com mais “hidratação” e portanto fica com mais “olhos” e menos compacto depois de levedar, e junto também algumas sementes.
Importante é mesmo a maneira como o pão coze, e cozer numa caçarola, tacho, pirex, ultra pro é indiferente. Tem é que ser sempre num recipiente fechado.

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Ingredientes para 1 pão:

250g de farinha de trigo biológica
250g de farinha de espelta biológica
2 colheres de sobremesa de sementes de linhaça castanha
1 colher de sopa de sementes de sésamo
flor de sal q.b.
7g de levedura seca (uso fermipan)
500ml de água tépida

Preparação:

Numa taça grande colocar as farinhas, as sementes, a levedura e o sal e misturar com a colher de pau. Adicionar a água e misturar novamente com a colher até tudo estar envolvido. (Não é para amassar, é só mesmo para misturar. E a mistura fica meia líquida: é mesmo assim!)
Tapar com um pano ou película aderente e deixar levedar no mínimo 1 hora e no máxima até 24 horas.
Ligue depois o  forno a 220ºC e lá dentro coloque o tacho de barro, o pirex ou a ultrapro, sempre com tampa, para aquecer ao mesmo tempo que o forno aquece. Quando o forno estiver na temperatura desejada, retire cuidadosamente o recipiente do forno e polvilhe o fundo com um pouco de farinha. Verta a massa para dentro do recipiente que estiver a utilizar e polvilhe com um pouco mais de farinha. Tape com a tampa e coloque no forno deixado cozinhar cerca de 45 minutos, sempre tapado. Ao fim desse tempo pode retirar a tampa e deixar estar mais uns 5 minutos, se quiser uma crosta mais dourada. 
Retire depois do forno, desenforme e deixe arrefecer sobre uma grelha. Evite cortar ainda quente. Pode congelar o pão fatiado.


Bom Apetite!

Bolo de Maçã da Filipa


É muito giro de ver, quando estes pequenos fenómenos acontecem. Alguém publica uma receita no instagram, e de repente há dezenas, se não centenas de pessoas a fazer e partilhar a mesma receita. Foi o que aconteceu a quinta feira passada com um bolo que a querida Filipa Gomes fez.(dispensa apresentações, certo? Do programa Prato do Dia no 24 Kitchen) Eu, que estava à procura de uma receita de bolo para o fim de semana fiquei logo de olho no bolo, que só não fiz na hora porque não tinha maçãs suficientes.
Portanto, na sexta feira, quando finalmente consegui fazer o bolo, era um sem número de pessoas a partilharem a maravilha de bolo de maçã da Filipa.
Ora eu, que até sou pessoa de não alterar muito as receitas, acabei por juntar também um pouco de caramelo cremoso (da receita que publiquei na sexta feira) à massa do bolo, em colheradas, antes de o levar ao forno, mas partilho aqui a receita sem o caramelo, como a Filipa a partilho, e para memória futura.
Atentem que o bolo é maravilhoso e muito, muito simples de preparar. Duas coisas que são explosivas quando se juntam, e talvez por isso o motivo do sucesso que o bolo acabou por fazer em poucos dias, com tantas pessoas a partilhar fotos do bolos que faziam instagram fora!
Então aqui fica.

Ingredientes:
(1 chávena = 1 cup, que corresponde a uma chávena com cerca de 250ml de capacidade)

5 maçãs
3 ovos
1 + 1/4 chávena de açúcar (só juntei 1 chávena)
3/4 de chávena de óleo (usei óleo de grainha de uva)
1 + 1/2 chávena de farinha
1 colher de chá de canela
1 colher de chá de fermento em pó

Preparação:

Descasque as maçãs e corte-as em cubinhos. Reserve.
Numa taça bata, com a colher de pau, os ovos com o açúcar e o óleo até obter uma mistura cremosa. Junte depois a farinha, o fermento e a canela e misture até ficar incorporado. Acrescente depois as maçãs em pedaços e envolva.
Coloque depois a mistura numa forma retangular previamente untada e polvilhada e espalhe com a ajuda de uma espátula (também pode usar uma forma redonda!) (Se quiser tornar o bolo mais guloso, junte algumas colheradas de caramelo cremoso na massa!)
Leve depois ao forno, previamente aquecido a 180ºC durante cerca de 40 minutos, ou até o bolo estar cozinhado.
Desenforme ainda morno.


Bom Apetite!

Sopa de Rabo de Boi à moda do Jorge


Começar o melhor mês do ano, Dezembro, com recordações, é talvez a melhor coisa que podia acontecer. E principalmente memórias carinhosas e felizes de pessoas que já cá não estão!
O Jorge era um amigo dos meus pais - e meu também, claro! Verdadeiro amante da comida, de comer e cozinhar - e como era bom cozinheiro. É dele a receita de  sopa de tomate à alentejana que faço, assim como a sopa de cação. Tenho muitas memórias do Jorge a cozinhar com a minha mãe, naqueles fins de semana de amigos. com almoços que acabam depois de jantar.
O Jorge era uma pessoa mesmo encantadora, e mais do que gostar de comer e de cozinhar, tinha uma enorme cultura gastronómica, era apreciador de coisas boas, um verdadeiro “gourmand”.
Mas o Jorge já morreu há muitos anos, vitima daquela doença parva chamada cancro, que mata pessoas sem olhar a nada. O Jorge morreu demasiado novo, deixou filhos pequenos, mulher e pessoas que gostavam muito dele. O Jorge morreu, mas a comida te destas coisas, as receitas que ele faziam permanecem em quem as cozinha. No papelinho escrito pela mão dele onde está a receita da sopa de cação ou a sopa de tomate à alentejana. E está, principalmente nas memórias que temos - que tenho - das coisas que ele fazia.
Nas ultimas semanas, uma sopa de rabo de boi que comi há muitos anos em casa dele andava a encher-me os sentidos. Foi seguramente à mais de 20 anos. (E têm de me começar a desculpar estas coisas, que os 40 estão a chegar e as coisas já se começam a ter passado há mesmo muitos anos!) Lembro-me que foi só com o meu pai e a minha irmã., Que a minha mãe não tinha ido por qualquer coisa de trabalho. Lembro-me que a minha irmã não quis comer - sempre foi uma miúda esquisitinha na comida - e que o Jorge lhe foi preparar uns ovos mexidos. Lembro-me do Jorge a fazer esses ovos mexidos, na sua cozinha minúscula, em que com 3 pessoas já ninguém se mexia. De derreter manteiga na frigideira e de juntar depois aos ovos batidos antes de os juntar à frigideira quente e mexer, mas deixando-os cremosos e não secos... Mas lembro-me particularmente da sopa de rabo de boi que comemos. Lembro-me que adorei. Lembro-me dos cubinhos de cenoura, batata e nabo milimetricamente cortados, à medida da perfeição do Jorge e das coisas que fazia na cozinha. lembro-me de tal maneira que não consegui pensar noutra coisa durante dias, até finalmente comprar o rabo de boi para tentar recriar a sopa do Jorge.
O problema é que eu não tinha a receita da sopa de rabo de boi do Jorge. A minha mãe não tinha a receita de sopa de rabo de boi do Jorge. Tudo o que eu tinha era as minhas memórias dessa sopa. Que podem ou não ser estas, porque também já se passaram muitos anos.
A sopa de rabo de boi que fiz, é a minha memória da sopa de rabo de boi do Jorge. Não faço a miníma ideia de como é que ele a fazia, mas acho que sei duas ou três coisas sobre cozinhar que me permitem fazê-la o mais fielmente que a minha memória me permite.
Ao Jorge. E às memórias que a comida nos consegue trazer.
E um feliz Dezembro para todos!

Ingredientes para 4 pessoas:

1kg de rabo de boi partido em bocados
sal e pimenta q.b.
2 pernadas de tomilho
1 folha de louro
2 cenouras 
1 cebola

2 batatas grandes
2 cenouras grandes
1 cabeça de nabo
300g de feijão vermelho cozido (em cozo em casa e congelo, mas podem usar de lata)

Preparação:

Comece por cozinhar o rabo de boi. (O rabo de boi tem de cozinhar muito tempo para ficar bem macio, e portanto é um corte perfeito para cozinhar na panela de cozedura lenta, para quem tenha uma. Eu coloquei na minha panela de cozedura lenta o rabo de boi em pedaços, a cenoura descascada e cortada em rodelas, assim com a cebola em pedaços e temperei com sal, pimenta e as ervas. Não coloquei nenhum líquido e cozinhei cerca de 8 a 10 horas em low, até a carne se desprender facilmente dos ossos)
Coloque o rabo de boi num tacho e cubra com água. Junte as cenouras descascadas e cortadas em rodelas, a cebola em pedaços, tempere a gosto com sal e pimenta e acrescente o louro e o tomilho. Deixe levantar fervura e cozinhar, tapado em lume brando umas 4 ou 5 horas, até a carne estar macia e se começar a querer separar dos ossos.
Retire depois o rabo de boi da panela e desfie a carne. Reserve-a e volte a colocar os ossos na panela. Se necessário acrescente mais água e retifique de sal e pimenta - este vai ser o caldo da sopa - e deixe ferver mais uma hora ou duas em lume brando. 
Coe depois o caldo da cozedura, reserve e descarte o resto.
Descasque as batatas, a cenoura e o nabo e corte em cubinhos muito pequeninos.
Coloque o caldo de cozedura do rabo de boi ao lume (retifique de sal!) e junte a mistura de batatas, cenouras e nabo e deixe cozinhar em lume brando até estar macio, mas sem deixar cozer em demasia. Junte depois a carne desfiada e o feijão vermelho, envolva bem e deixe cozinhar mais 5 minutos.
Sirva bem quente.


Bom Apetite!

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