Tacinhas de Peixe com Croutons

Uma pessoa chega aos trinta e tal anos e pensa que já nada a espanta ou dececiona. Pensa que já cresceu o suficiente e que tem já uma carapaça dura, onde nada faz grande mossa. Não é verdade. Há coisas que ainda nos continuam a espantar. Gestos (ou falta deles!) que não entendemos. Que não encontramos razão.
Eu pensava que havia algumas pessoas na minha vida que estariam cá para a vida. Daqueles amigos que o tempo até pode passar, que podíamos estar muito tempo sem nos vermos, mas que quando era importante eles estavam lá. Mas depois falham uma vez. Duas. Três. E depois deixamos de nos importar. Ou tentamos.
Depois analiso. Olho com atenção para trás e vejo que na verdade em muitas alturas fui apenas uma amiga de segunda. Os de primeira eram os amigos cujos pais eram de “elite”. Os amigos a quem se ofereciam os bilhetes para os concertos, a queima ou para o futebol. E depois nós, na categoria dos amigos de segunda: amigos que nunca faltavam quando era preciso um par de mãos extra, ou quando o computador precisava, ou porque os outros não estavam disponíveis. Em oposição aos amigos das saídas e das borlas, éramos os amigos que estavam lá para as coisas mais mundanas e aborrecidas. Ás vezes pensamos que temos grandes amigos, mas na verdade estamos cegos. É preciso um abanão para vermos. Tenho pena. Quando sou amiga não me importa o “pedigree”, se na conta bancária estão 4€ ou 4000€, ou se o pai é serralheiro ou banqueiro.
Pensava que chegava aos trinta e tal anos e que os meus bons amigos eram para a vida. Ainda bem que alguns são. Outros serão ou não. E encontro aqui uma maravilhosa lição de vida para ensinar aos meu filho: que nunca, mas nunca, deixe que o tomem como um amigo de segunda quando se oferece em troca uma amizade de primeira e para a vida.
Bom fim de semana!

Ingredientes para 2 pessoa:

1 chávena de sobras de peixe partidas em pedaços
1 cebola pequena
1 tomate
½ pimento verde
2 dentes de alho
50ml de natas
Sal e pimenta q.b.
1 pão duro

Preparação:

Corte o pão duro em cubinhos (croutons) e coloque-os num tabuleiro que vá ao forno. Tempere com um fio de azeite e leve ao forno previamente aquecido a 180ºC até que os cubinhos de pão fiquem louros e crocantes. Retire e reserve.
Entretanto leve uma frigideira ao lume com um fio de azeite e acrescente a cebola e os dentes de alho picados. Acrescente depois o tomate em cubinhos assim como o pimento e deixe saltear. Junte agora o peixe e tempere com um pouco de sal e pimenta. Envolva as natas para que fique cremoso e divida a mistura por dois ramequins ou tacinhas que possam ir ao forno.
Por cima cubra com os croutons previamente preparados e leve novamente ao forno para tostar mais um pouco.
Sirva com uma salada verde.

Bom Apetite!

24 comentários :

  1. Grande introdução... A categoria de amigo não deveria poder ser subdividida em amigos de primeira ou de segunda. Ou é se Amigo ou então será apenas um conhecido... Mas sim há pessoas que enganam muito.
    Joana, as tacinhas são uma óptima sugestão!
    Bom dia e um beijinho

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  2. Tita09:35

    Joana, hoje a introdução tocou-me muito, porque aconteceu-me exatamente a mesma coisa com uma suposta grande amiga. Tão grande, que até é madrinha do meu filho, mas que de um momento para o outro se eclipsou da minha vida, sem dar qualquer explicação. Continuo a carregar essa mágoa, mas também tenho a capacidade para me sentir agradecida por em determinado momento, deixar finalmente de ser a amiga de 2ª de alguém. Amigos, só de 1ª!

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  3. Tocou-me a mim também, infelizmente passei pelo mesmo, estou ainda na fase "será mesmo verdade?" e infelizmente é, só nos apercebemos de que fomos usados, quando as pessoas que nos usaram deixam de precisar e então deixam de aparecer. Até lá tudo nos parece normal, porque somos amigos, achamos que somos amigos...e amigos ajudam! Enfim! Adorei a receita, super simples e certamente muito saborosa! Bom fim-de-semana!

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  4. Compreendo tão bem... infelizmente...

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  5. Estamos sempre a ser surpreendidos mesmo quando já não o achamos possível. Sei que sou mais nova, mas também já aprendi que devemos ser o melhor amigo possível, estar lá, dar a mão e o corpo todo - que do outro lado virá certamente a melhor amizade (os que são ingratos, chutam-se para canto).
    A receita é mesmo à minha medida :)
    http://acozinhadaovelhanegra.blogspot.pt

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  6. Olá,
    É bem verdade, eu não foi preciso chegar aos 30 anos para descobrir que para muita gente era amiga de 2ª ou de 3ª mas que, nos maus momentos estava sempre lá.
    No entanto, quando tiver um problema grande na minha vida descobri que afinal amigos de verdade, só podemos contar com a família, pois os outros vão e veêm.
    Bjs

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  7. Pois é, a vida ensina-nos muito. É sempre difícil lidar com perdas, sejam elas de que tipo forem... Temos de ser (ainda) mais seletivos, é o que é ;)

    Gostei da receitinha :)

    The gLiTtEr Side

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  8. Eu tenho 53 anos, e ainda me acontece isso com alguma frequência. Vou-me abaixo e depois volto, e nesse momento dou ainda mais valor aqueles que estão sem nada pedir...
    Quanto à receitinha vou adorar com certeza.

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  9. Tem razão.... :/

    viagemdoceviagem@blogspot.com

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  10. sonia12:22

    Infelizmente, acho que todos nós temos destas pessoas nas nossas vidas....

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  11. Super Apetitoso... Huuuuuuuuuummmmmmmmm!!!!
    Beijos Márcia (Rio de Janeiro - Brasil)
     
    http://decolherpracolher.blogspot.com

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  12. Revejo-me um pouco no q dizes e sentes, Joana... Cabe-nos a nós dizer 'basta' e termos amor-próprio e ñ deixarmos q nos deitem abaixo e mt menos nos 'usem' qd precisam... E fazes mt bem em ensinar isso ao teu filhote! Haja mais pais a pensarem e a agirem como tu! Bjinhos e bom fds!

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  13. Toda a gente naturalmente se revê naquilo que dizes. Eu própria alterei a minha postura perante assuntos desses. Decidi não ser ninguém de 2ª categoria para ninguém, pois penso que haverá sempre amigos, familiares ou amores, que nos achem especiais. bjs

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  14. Anónimo16:31

    Que timing perfeito o da sua introdução! Tive uma amiga que sempre pensei que seria para a vida, a vida afastou-nos e sempre culpei a distância até que não foi possível continuar a fazê-lo. Quando percebi que a amiga não partilhava a minha alegria nas minhas pequenas conquistas, como eu fazia com as dela...na realidade tinha uma inveja encapotada. Enfim, infelizmente não foi a única. A mais recente é de uma suposta amiga que só se lembra de mim quando precisa, para as saidas e divertimentos também devo ser de segunda! Às vezes pergunto-me se sou motivo de vergonha para algúem, porque eu importo-me mais com o ser do que o parecer? Enfim, desilusões a mais. Desculpe o desabafo, mas há dias em que isto tira-me do sério!

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  15. É... quantas vezes uma pessoa percebe que amiga só fomos nós. Que a amizade só teve um sentido... Mas andar e aprender. E aprende-se, custa, mas aprende-se.
    A sugestão, como sempre, deliciosa!

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  16. Anónimo19:40

    O mais chocante nessa situação, pela qual infelizmente já passei muitas vezes, é que nós não somos coisas que se usam e deitam fora quando já não interessam.
    Somos pessoas, com sentimentos, e por vezes, as atitudes deploráveis dos outros que nos usam e depois deitam ao lixo, deixam consequências na nossa saúde e na nossa vida.
    Se as pessoas reflectissem antes dos actos que cometem e se pensassem se gostariam que lhes fizessem o mesmo, decerto não faziam metade do que fazem.
    Não é essa a nossa missão na vida, mas sim fazermos o Bem e tratarmos todos com dignidade e respeito.
    Bem haja, Joana e força.

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  17. Infelizmente Joana, há pessoas que nos tomam como dados adquiridos, não só os amigos, como a família. E depois acham que nós é que temos sempre de dar os primeiros passos e se um dia decidimos não o fazer a culpa é nossa e nós é que somos os arrogantes porque eles nunca nos deram motivos. Acho muito bem que abra os olhos e que dê valor a quem realmente importa. Tal como diz o ditado " só faz falta quem cá está" . Beijinhos e espero que tenham tido uma óptima festa de Aniversário, a 1ª do Zé Maria, que esse sim é o mais importante agora na vossa vida e já a preenche por completo! <3

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  18. Não és a unica, e com o passar dos anos ainda verás mais ;)
    Eu já passei os quarenta e digo, que AMIGO é uma palavra sentida e forte. Amigo é quem está connosco na mó de baixo, quando precisamos,quando estamos tristes, aquele que nos alegra e nos compreende.
    Amigo é aqulee que nos ajuda a caminhar e nos levanta quando caímos ou tropeçamos.
    Os outros são meramente conhecidos ;)
    Com o passar dos anos, filtrarás com uma peneira mais fina e verás que os mais importantes são muito poucos, mas como em tudo é mais importante a qualidade do que a quantidade.
    Um beijinho e bom fim-de-semana :)
    Romã:*

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  19. Infelizmente, muita gente se identifica ctg e c as tuas palavras neste momento. Eu era a amiga que organizava jantares depois do secundario, que juntava toda a gente nos meus aniversarios, que procurava pessoas que se afastaram por esta ou aquela razão pq queria mantê-las perto de mim e queria q a amizade perdurasse. Porque afinal passamos tão bons momentos. Mas qd eu me afastei, por estar c problemas no trabalho, por n ter dinheiro p borgas e jantares a todo o momento, qd achei q era altura de ter outras prioridades, fui posta de parte. Segundo eles, eu afastei-me. Pois afastei, mas ninguém se preocupou em perguntar-me o porquê. Em ligar e dizer: Lena, está tudo bem ctg? Não, preferiram deixar de me convidar, de me contactar e até de responder aos meus convites... e hoje olho p tras e penso como me enganei c essas pessoas. Mas tb penso, c amigos assim, ninguém precisa de inimigos. C'est la vie! Bom fim de semana para todos. :)

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  20. Anónimo22:56

    Ainda dói infinitamente mais quando o desprezo vem da própria família, isso para mim é o pior ...

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  21. Eu, depois de uns abanões do mesmo género, adoptei a máxima de que só faz falta quem está! Infelizmente acabo por me tornar mais cínica em relação às pessoas... não digo que não seja amiga, que não esteja lá para quando precisam, seja nos bons ou nos maus momentos, mas passei a esperar bem menos dos amigos, a ter sempre um pé atrás e a concentrar-me muito mais na minha família, seja nas coisas mais simples, seja em grandes momentos!

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  22. Olá
    Também fui aprendendo que muitas vezes nos enganamos e aqueles que julgamos amigos são, só e apenas, conhecidos.
    Melhor, e ainda recentemente expliquei isto aos meus filhos: Nós é que confundimos aqueles de quem somos amigos e aqueles que são nossos amigos. E estes são muito poucos.
    No fim, resta aprender que esses não merecem mesmo nada que fiquemos tristes por isso..
    Tudo de bom e lição aprendida :)
    Bjns

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  23. Amigos só conhecemos depois de precisar deles. Precisar que eles estejam do nosso lado!!
    Amigo é aquele que nos contraria, que nos pica e nos faz pensar.
    É oferecer-nos o cartão para ir ao super-mercado, numa situação de doença e desemprego, para que nada nos falte.
    Desses há pouco, mas ainda existem <3

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  24. Anónimo16:59

    Como a entendo minha querida e já tenho cinquenta e tal anos,mas nunca estamos preparados,mas cada um terá que responder pelas suas atitudes,a nós resta-nos continuar a sermos genuinos,que esses supostos amigos não nos permitem medir todos pela mesma bitola.

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