segunda-feira, junho 29, 2009

Rojões de Porco da Avó Celeste

A minha avó Celeste não era uma grande cozinheira. O único doce que fazia era aletria. Lembro-me que ela e o meu avó comiam todos os dias ao jantar peixe cozido com batatas e legumes e ovos caseiros das suas galinhas.
Mas lembro-me do frango que ela fazia no forno a lenha e que eu sempre adorei. E do pão quente com manteiga, daquela manteiga que vinha embrulhada num papel branco e que o meu avô ia comprar ao mini-mercado. E dos folares da altura da Páscoa.
Lembro-me também das canjas e do arroz de cabidela feitos sempre com os frangos e as galinhas que eles criavam, e a quem eu e a minha irmã adorávamos ir dar milho e correr atrás delas
Lembro-me dos porcos. E de ver a minha avó a preparar-lhes a lavagem com abóbora que eles comiam. Lembro-me das matanças do porco. Do porco aberto ao meio a escorrer na "casa do forno". Dos alguidares de barro cheios de carnes. Das carnes para os chouriços. Da salgadeira de madeira onde ainda se guardavam algumas carnes. E das tinas de azeite onde havia chouriços.
E lembro-me do cozido. Feito com aquelas carnes. E com legumes acabados de apanhar
E, principalmente, lembro-me dos rojões. Da panela enorme, ao lume, a cozinhar durante quase um dia inteiro a carne do porco. E dos frascos que depois se enchiam com a banha que daí resultava. E depois das travessas cheias de carne dourada com um sabor inconfundível.
Estes não podem ser, jamais, os rojões da minha avó. Mas foram uma lembrança dela à minha mesa.

Ingredientes para 2 pessoas:

600gr de carne de porco (de preferencia porco preto e com gordura!)
1 pedacinho de toucinho (sem carne)
sal

Preparação:

Num tacho de barro coloque o toucinho e a carne de porco, tudo partido em pedaços. Tempere de sal e leve a lume brando e deixe cozinhar lentamente.
Inicialmente vai ver a carne a largar água, e a ficar com bastante molho. Depois a água começará a evaporar e a carne começará a fritar na gordura que entretanto se vai formando. Deixe ir confitando a carne nesta gordura, mexendo de vez em quando.
O resultado final deverá ser uma carne dourada e um pouco seca. (O processo é demorado. Tenha sempre o lume baixo. No meu caso e com esta quantidade de carne demorou cerca de 2 horas a ficar no ponto!)
Sirva com batata cozida salteada na gordura de fritar a carne e legumes cozidos. (Faz mal, eu sei, mas um dia não são dias!)

Bom Apetite!

8 comentários:

  1. Divinal... Adorei ler as tuas recordações e é giro ver que há coisas que nos ficam, memórias gustativas que guardamos...
    Ficaram uns óptimos rojões! =)

    Beijinho*

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  2. Adorável!!!! Também eu tenho essas lembranças e ao ler as suas e ao ver a fotografia dos rojões fiquei com saudades...
    É sempre uma delícia consultar o seu blog.

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  3. Comida tipicamente portuguesa... divinal :)

    Bjs

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  4. Mãe11:15

    É assim que fazemos renascer as nossas memórias mais íntimas e homenagear os entes queridos... Memorável pelos cheiros e odores que conseguiste transportar até mim! Obrigada

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  5. Têm muito bom aspecto!

    Qualquer dia falo dos rojões aldrabados que a minha mãe faz :P


    Beijinho

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  6. Com as tuas palavras fizéste-me recordar também a minha querida avó materna a a sua vida na aldeia... Obrigada!

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  7. hum... gosteiiiii... =D

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  8. Que boas lembranças estas do meu tempo de menino. Nada é como antes!
    Vou agorinha mesmo fazer rojões como fazia a minha mãe.
    Beijinhos e parabéns pelo blog
    MCS

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